Diga como é o sucesso
Indique o resultado que pretende e como o vai avaliar, para que o modelo aponte para algo que possa verificar.
Porque é importante
Quando leio um prompt, a primeira coisa que procuro é a meta. Um modelo produz sempre alguma coisa; a questão é saber se, no fim, vai conseguir reconhecer que é aquilo de que precisava. Se o prompt só nomeia um tema, o modelo tem de adivinhar o resultado, e o utilizador tem de avaliar a resposta a olho.
Os dados apontam no mesmo sentido. No estudo ROPE, ensinar os participantes a formular os seus requisitos de forma completa fez subir as pontuações de 21,9% para 40,9%, enquanto a formação convencional em engenharia de prompts trouxe um ganho de 0,7%, e um otimizador automático de prompts não conseguiu fechar a diferença. Outro estudo, com jornalistas, concluiu que a formação em prompts os fez sentir mais competentes, mas que o efeito na qualidade do trabalho foi misto. Conhecer truques não basta; a competência está em dizer aquilo de que se precisa.
Os fornecedores dizem praticamente o mesmo. A Anthropic recomenda critérios de sucesso específicos e mensuráveis, e a OpenAI aconselha, para os modelos de raciocínio, a definir com clareza como é uma resposta bem-sucedida. Um objetivo com um teste associado é algo que tanto o utilizador como o modelo podem verificar.
Como é um bom prompt
- 0 — Nenhum resultado discernível. Um tema, nada para fazer: «Fala-me de marketing.»
- 1 — Tema ou atividade, resultado implícito. Sabe o que quer; o prompt não o diz: «Escreve sobre o nosso novo produto.»
- 2 — Resultado indicado, sem critérios de sucesso. «Escreve um e-mail de lançamento para o nosso produto.» Melhor, mas qualquer e-mail serviria.
- 3 — Resultado e pelo menos um critério verificável. «…que leve os clientes atuais a marcar uma demonstração; menos de 150 palavras.» Agora é possível verificar o resultado.
- 4 — Critérios com prioridades. «…um único apelo à ação visível sem deslizar; a brevidade conta mais do que cobrir todas as funcionalidades.» O modelo sabe do que abdicar quando os critérios chocam.
Erros comuns
- Nomear uma atividade («ver», «ajudar com», «escrever sobre») em vez de um resultado.
- Critérios que ninguém consegue testar, como «torna-o cativante» ou «de alta qualidade». Pergunte a si próprio como reconheceria um texto cativante.
- Esconder o verdadeiro propósito: o e-mail serve para conseguir marcações de demonstrações, mas o prompt nunca o diz.
- Enumerar vários critérios e deixar o modelo adivinhar qual pesa mais quando entram em conflito.
- Confundir extensão com sucesso. Um limite de palavras é um bom critério, mas raramente o único que importa.
Experimente com o seu prompt
Pegue num prompt que tenha usado esta semana e cole-o na área de trabalho. Antes de ver a pontuação, complete para si esta frase: «Vou saber que a resposta é boa se…». Se essa frase não estiver no prompt, acrescente-a e compare a pontuação do objetivo antes e depois. O coach poderá fazer-lhe uma ou duas perguntas para ajudar a encontrar o critério que ficou de fora.
Exemplos resolvidos
E-mail de lançamento
Escreve um e-mail sobre a nossa nova aplicação de reservas.
Escreve um e-mail a anunciar a nossa nova aplicação de reserva de mesas aos clientes que reservaram no nosso restaurante por telefone no último ano. O e-mail tem sucesso se: - nas duas primeiras frases o leitor perceber o que a aplicação faz por ele (reservar uma mesa em menos de um minuto, a qualquer hora); - tiver um único apelo à ação, uma ligação «Descarregar a aplicação», colocada antes do primeiro deslizar do ecrã; - tiver menos de 150 palavras. Se estes critérios entrarem em conflito, mantém o apelo à ação único e o limite de palavras, e corta primeiro os pormenores das funcionalidades.
O prompt fraco nomeia um tema; o forte nomeia um leitor, um resultado e três critérios que se podem verificar, e diz qual deles cede quando entram em conflito.
Análise de um inquérito interno
Dá uma vista de olhos a estes dados do inquérito.
<inquerito>
{{cole aqui os resultados do inquérito}}
</inquerito>
Estes são os resultados de um inquérito aos enfermeiros do nosso serviço sobre cinco alterações propostas à escala de turnos. Usa-os para decidir que duas alterações vamos testar no próximo trimestre.
Uma boa resposta:
- indica exatamente duas alterações;
- fundamenta cada uma com a percentagem de inquiridos que lhe deram 4 ou 5 e com a principal objeção referida nos comentários;
- assinala como pouco fiável qualquer valor baseado em menos de 30 respostas.
Se os dados não separarem claramente as duas primeiras, di-lo e sugere uma pergunta adicional que permita desempatar. Um «não há vencedor claro» dito com clareza é-nos mais útil do que uma escolha forçada.
«Dá uma vista de olhos» não dá nenhuma meta. A versão forte liga a análise a uma decisão, define o que é uma resposta completa e diz o que fazer se os dados não chegarem.
Exercício
Reescreva este prompt para que indique o resultado e pelo menos um critério verificável.
Reescreva este prompt para que o modelo saiba que decisão a pesquisa vai apoiar e o que contém uma resposta completa.
Reescreva este prompt para que «melhor» passe a ser um objetivo testável, e indique que objetivo prevalece se dois entrarem em conflito.
Experimente com o seu próprio prompt
Fontes
- What Should We Engineer in Prompts? Training Humans in Requirement-Driven LLM Use (arXiv 2409.08775)
- What Should We Engineer in Prompts? (full text, arXiv 2409.08775v3)
- The Effect of Education in Prompt Engineering: Evidence from Journalists (arXiv 2409.12320)
- Anthropic — Define success criteria and build evaluations
- OpenAI — Reasoning best practices