Escreva para alguém
Diga quem vai ler a resposta e o que vai fazer com ela, para que o nível, a ênfase e o tom decorram daí.
Porque é importante
Os mesmos factos dão um texto diferente para cada leitor. Um resumo dos resultados trimestrais para o conselho de administração, para os novos colaboradores ou para o jornal local quase só partilha os números. Quando o prompt nada diz sobre o leitor, o modelo escreve para uma pessoa média que não existe, e o resultado fica demasiado complexo para uns e demasiado simples para outros.
Duas perguntas fazem a maior parte do trabalho: para quem é, e o que vai fazer com isto. A primeira define o nível e o vocabulário; a segunda define a ênfase. Um morador a separar o lixo precisa de saber «que ecoponto», não «porque é que a política mudou». As orientações da Anthropic vão no mesmo sentido: explicar o propósito de um pedido ajuda o modelo a dar uma resposta mais certeira.
A quem se destina a resposta é um dos requisitos que os investigadores do ROPE ensinaram os participantes a explicitar. Faz parte daquilo de que precisa, não é uma questão de estilo.
Como é um bom prompt
- 0 — Não se percebe leitor nem propósito. «Explica a fotossíntese.»
- 1 — Leitor sugerido, nunca indicado. «Explica a fotossíntese de forma simples.» Simples para quem?
- 2 — Leitor indicado, uso por dizer. «Explica a fotossíntese a uma criança de 12 anos.»
- 3 — Leitor e propósito indicados. «…a uma criança de 12 anos que se está a preparar para um teste de ciências na próxima semana.»
- 4 — Leitor, propósito e o que já sabe. «…que já deu a célula mas não química; vai ter de responder a perguntas escritas curtas, por isso privilegia os termos exatos em vez de analogias.» O nível, a ênfase e o registo decorrem da descrição.
Algumas tarefas não têm leitor humano, como uma pura transformação de código ou uma extração de dados. Nesses casos, o critério é considerado não aplicável.
Erros comuns
- Usar uma palavra de registo («de forma simples», «profissionalmente») em vez de descrever o leitor.
- Nomear o leitor sem dizer o que ele vai fazer com a resposta.
- Esquecer o que o leitor já sabe, de modo que o modelo explica de mais ou de menos.
- Escrever um só texto para dois públicos com necessidades diferentes, em vez de pedir duas secções.
- Descrever-se a si próprio quando quem vai ler é outra pessoa.
Experimente com o seu prompt
Cole um prompt na área de trabalho e acrescente uma frase: «Isto é para…, que o vai usar para….» Se puder, junte o que esse leitor já sabe. Depois veja como muda a pontuação do público e leia a resposta para confirmar se o nível serve a pessoa em quem estava a pensar.
Exemplos resolvidos
Folheto sobre reciclagem
Explica as novas regras de reciclagem.
<regras>
{{cole aqui as novas regras de reciclagem da câmara municipal}}
</regras>
Explica estas regras num folheto destinado aos moradores de uma residência sénior. A maioria dos leitores tem mais de 75 anos, vários veem mal e nenhum esteve nas sessões de esclarecimento.
Vão usar o folheto no dia da recolha para decidir em que ecoponto vai cada objeto, por isso precisam de saber o que vai para onde, não porque é que as regras mudaram. Usa frases curtas e objetos do dia a dia como exemplos (um copo de iogurte, uma caixa de pizza, uma garrafa de vinho) em vez dos termos técnicos das regras.
A versão forte nomeia o leitor, o que ele já sabe e o que vai fazer com o folheto, e assim o modelo pode escolher o nível, a ênfase e os exemplos.
Notas de versão
Escreve as notas da versão 3.2.
<alteracoes>
{{cole aqui a lista de alterações da versão 3.2}}
</alteracoes>
Escreve as notas da versão 3.2 da nossa aplicação de contabilidade para dois grupos de leitores.
1. Donos de pequenas empresas que usam a aplicação todas as semanas. Conhecem bem o ecrã de faturação, mas não os termos técnicos, e vão ler as notas na diagonal para ver se alguma coisa muda na sua rotina. Começa pelo que eles vão notar, em linguagem simples.
2. A nossa equipa de apoio, que conhece o produto a fundo e vai usar as notas para responder às perguntas dos clientes esta semana. Dá-lhes uma secção curta com o pormenor técnico e os problemas conhecidos.
Um único conjunto de notas raramente serve a todos. Nomear os dois públicos, o que cada um sabe e o que cada um vai fazer permite ao modelo escrever duas secções ao nível certo, em vez de um texto confuso.
Exercício
Reescreva este prompt para que o modelo saiba quem está a aprender, o que essa pessoa já sabe e o que vai fazer a seguir.
Reescreva este prompt para um leitor concreto que vai dar um uso concreto ao resumo.
Reescreva este prompt para que o modelo saiba quem vai ler a avaliação e que decisão ela vai apoiar.
Experimente com o seu próprio prompt